Linha do (contra) tempo

Março de 2020. Itália é recorde de mortes por COVID-19.


Todos estamos falando sobre isso, horrorizados.


Seguimos vivendo uma vida normal. Estamos aos poucos comprando máscaras e álcool em gel.

Esperando que, assim como nos filmes estadunidenses, o Brasil fique de fora dessa.


Aos poucos, vamos ficando com medo. O inverno está próximo. As gripes e resfriados também.

Os primeiros casos começam a ser divulgados.


É metade de Março de 2020.


As aulas foram suspensas. Algumas empresas adotaram o home office.


Outros, aderiram ao negacionismo.


Um mês se passou.


Um mês em que alguns aproveitaram como se fossem férias. Festas, bebidas, viagens.


Dois meses e sem previsão do fim.


Desgaste daqueles que estavam cumprindo com as normas do isolamento. 


Discussões sobre os descumprimentos.


Três meses e “ninguém mais aguenta ficar em casa.”


Mas ficaram?


Quatro meses e tudo o que víamos no feed do Instagram eram fotos de Gramado.


“É pela saúde mental”


Mas as vítimas continuavam partindo.


O final do ano chegou.


Com tanto negacionismo e egoísmo era preciso comemorar. Comemorar todas essas atribuições.


Comemorar pelas aglomerações feitas em nome da saúde mental, um assunto tão sério.


Comemorar pela falta de empatia.


Pela falta de respeito com o próximo.


Pela falta de consciência.


Praias lotadas. Dias de comemoração.


Pessoas tão cansadas de ficar em casa que nunca ficaram em casa.


Um ano de pandemia no Brasil.

Estamos cansados de ficar em casa.


Estamos cansados de ver aglomerações desnecessárias.


Estamos cansados de ver o desrespeito. A negligência.


Estamos cansados. Mas prosseguimos.


Um ano de pandemia no Brasil.


Os reflexos das comemorações tiraram muitos daqui.


O inverno está chegando novamente.


O frio segue nos abraçando e causando calafrios.


É Abril de 2021. Sem previsão para o fim.


A não ser que o fim seja o nosso.




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